sábado, 28 de março de 2009

Calla Lily


Descobri Robert Mapplethorpe em 1997, na sua grande exposição do MAM (SP). Depois, as 50 fotografias da Galeria Fortes Vilaça (SP), em 2005.
Seu trabalho com luz e sombra me impressionou. As flores fascinaram, minimalistas, líricas, eróticas. E todo o encantamento dura até hoje.
Confesso meu repertório do conhecimento de arte fotográfica apenas em construção mas, é possível reconhecer que a sua obra, em estúdio, de base clássica, tem a profunda busca da beleza, do rigor "Eu procuro pela perfeição da forma. Eu faço isso em retratos, fotos de pênis, fotos de flores." Encontrou.
Em tudo há o toque autoral, transgressor, nos inventivos retratos de personalidades (que o lançaram no universo pop), na delicadeza still-life ou no pornográfico mas, sem dúvida, resultando sempre em beleza, mesmo ao preço de uma difícil digestão, passado o pasmo.




Escorpião do Queens, Mapplethorpe viveu pouco, 42 anos, mas, na efervescente cena artístico-intelectual da NY dos anos 70 e 80, possivelmente intensos e apaixonados.


domingo, 22 de março de 2009

Mabon





Um disco dos Mutantes, de 1969.
Pra voltar a saber desta matéria que me moldou.
Outra.
Tão estranha à que piso hoje.
Por isso a incompetência, o desalento.
No raso.
E a redenção.
Neste instante de luz.





E é destino que seja Mabon.
E lua que mingua.
E cheguem já, do Hades, os primeiros cinzas e arrepios.
Evoé Baco! Boas vindas a Mabon!
Que venha para me ensinar.
Novos passos da dança.
Eterna.
Da travessia.







sábado, 21 de março de 2009

"O tempo que não se ousa olhar, perde-se."

Sábado passado vi Fatal, filme de 2008, da espanhola Isabel Coixet, adaptado de The Dying Animal, livro de Philip Roth. O título em inglês, Elegy , tem mais nexo, “Fatal” é muito comercial, irritante, tanto quanto certas resenhas que fizeram sensação da nudez (seios) de Penélope Cruz (indispensável na trama!)
Em Fatal tudo é elegante. Na trilha sonora há Leonard Cohen, Chet Baker, Beethoven, Vivaldi, Bach e Erik Satie. A minimalista-melancólico-desconcertante e belíssima Gnossiennes (Satie) acalenta o jogo de sedução, o acontecimento do amor.
O tema me toca, particularmente. Perdas e transformações. Comovente. Um drama rasgado com classe.
É a perplexidade do protagonista David diante da constatação da velhice, do tempo. A revelação do silêncio, do vazio, do medo. Que põe em cheque a autoconfiança, o orgulho masculino, a estabilidade, a autonomia. Cerco urdido pelo amor.
Há belas cenas. Gosto bastante da fotografia, dos tons tristes. Da atmosfera outonal valorizando instantes (na praia, em janelas e chuvas, ruas). Dos movimentos de câmera a conduzir nossa emoção. Do enquadramento nos olhos de Consuela, transformando-a na Maja de Goya. Das metáforas, um “I love you” dito, ternamente, através de pantomima por Consuela a um David que ainda não consegue compreendê-lo. Lâmpadas acesas, pelo filho convencional e ressentido, em uma sala (e um momento de vida) às escuras. Consuela, a mulher bela e invisível, finalmente despida (enxergada!) para David, em um momento belo e terrível (e a Maja Desnuda).
E diálogos ótimos. David e o amigo (e alter ego) George (Dennis Hopper, fantástico). David e Consuela. David e o filho Kenny (cheios de amargura).
Penélope Cruz e Ben Kingsley beiram a frieza, sinto sempre a melancolia, algo incômodo. Mas sensualidade. Muita. Requintada. Consuela descansando de bruços sobre o sofá, usando apenas impecáveis sapatos de salto preto/vermelho, enquanto David toca Gnossiennes ao piano é de arrepiar.
E Penélope é só beleza, genuína, que nos redime de toda a mediocridade loura-chapinha-gostosona-siliconada que nos intoxica.

domingo, 15 de março de 2009

Love Will Tear Us Apart

Ouvi pouco Joy Division. O suficiente para, hoje, dar certos sentidos aos registros preservados por minha subjetividade.
Afetivo, porque grande parte da minha referência musical vem daquilo que ouvi através de minha irmã nova um ano, Nora, já de sensibilidade bem mais desenvolvida.
De fruição e asserção de gosto (não sei se a melhor palavra), que chega finalmente.
Naquele momento eu estava mais para a new wave, de fácil digestão, minha alienação era maciça o bastante para a incompreensão de toda a carga contida no punk, no pós-punk (no dark, como a mídia resumia tudo isso, à época). Indecifráveis: a economia de acordes, os graves sombrios, o sentido sufocante e ermo (sub) urbano, a acidez, o desencanto.
A frivolidade afastava, mas algo me tocou, coseu-se a pontos largos, salvando-se (me), sustentou algumas escolhas no caminho e hoje permite toda essa reflexão, desencadeada por um filme escolhido apenas por curiosidade biográfica.
Control, 2007, baseado em Touching from a Distance, livro de Deborah Curtis, mulher de Ian, letrista/vocalista/músico do Joy Division.
O ator britânico e membro da banda indie 10.000 Things (talvez Clara possa me dizer algo sobre ela), Sam Riley, tem nos olhos, em comoventes doses iguais, o êxtase, a pressa, a incompreensão da juventude e a angústia e desencanto, vaticínios da tragédia.
Anton Corbijn, o diretor holandês, também é fotógrafo, por isso a sacada que equaciona a narrativa – um jovem com conflitos comuns a tantos outros jovens X um notável talento manifestando-se X doença X contexto social-histórico – através do belo PB que ora romantiza, ora dramatiza e sempre mantém a atmosfera suburbana, seca, desolada, sem nunca cair no banal ou piegas. E trilha sonora e iconográfica perfeitas.

Control está comigo, em ruminação, há uma semana. Penso em Ian. Canceriano de 56, como eu. Em caminhos semelhantes, que já cruzaram os meus.
Então,
Tenho de encontrar meu destino, antes que seja tarde demais...
(frag de tradução de "24 Hours"- Joy Division)

quinta-feira, 12 de março de 2009

Anestesia, choque. Microcosmos iluminantes.

Noite de 11/03/09, quarta-feira.
Trouxe comigo o gris de todo o meu dia. Dia que destrançou uns últimos fios da minha esperança.
E, a princípio, a anestesia da TV às avessas:
Jornal da noite, eclipse total.
Homens, distantes em geografia, abraçados na loucura, no absurdo, na dor, no terror. Tiros certeiros ou cegos. Tristemente orquestrados. (Moore? Ferida recorrente?
Bowling for Columbine?)
E, no final, luz.
João Carlos Martins (wikipedia.org/João_Carlos_Martins) nas Provocações de Abujamra. Artista maior. Encurralado pela vida (“corpo a corpo com o destino”). Renascido pela arte. Absolutamente comovente, íntegro, grandioso. Por isso Bach.

E, talvez eu volte ao tear...

quarta-feira, 11 de março de 2009

São Luís do Paraitinga-SP, carnaval 2009.

Distância: 12 anos, 1 história, 1/2 certeza, escoriações várias.
Bagagem: 1 Praktica um tanto gasta, esperança.

Cor, amizade e alegria, a caminho da festa.
(São Luís do Paraitinga-SP, 2009, por Patricia Augusta Corrêa)

Mineira em São Paulo. Tantas portas e janelas. Banhada de todo o sol e calor para luzir suas cores de carnaval e explodir em tesão e loucura toda a juventude de suas ruas. Com a infinita benção de Baco.

Azuis
(São Luís do Paraitinga-SP, 2009, por Patricia Augusta Corrêa)

terça-feira, 10 de março de 2009

Luzes ibéricas

(Paranaguá-PR, 1996, por Patricia Augusta Corrêa)

Sampa

(São Paulo-SP do alto do Banespa, 2009, por Patricia Augusta Corrêa)



Dois momentos em Paranapiacaba-SP

Ríamos pelas ruas da vila , Baco nos protegia.


(Paranapiacaba-SP, sem data, por Patricia Augusta Corrêa)


Um dia tudo ficou mais quieto.

(Paranapiacaba-SP, 2008, por Patricia Augusta Corrêa)

O início

(Iguape-SP, 1997, por Patricia Augusta Corrêa)

janelas abertas,

talvez sanyasa


(março, lua cheia, ainda verão.)