segunda-feira, 20 de abril de 2009

Fotografias


A fotografia PB tem me interessado bastante. Aprendo novos significados de luz e sombra.
Dag Alveng, na exposição Nova Iorque/Noruega, 1979/2008, da Caixa Cultural, foi uma grata surpresa, especialmente a série Summer Light que traz a superexposição na maioria dos trabalhos, criando cinzas até uma explosão de brancos, numa bela exaltação ao (desejado) sol escandinavo, protagonista absoluto. E imagens líricas de uma casa de férias, de família, de pessoas despojadas de roupas, suaves, de luzes lânguidas (Raios de sol na Porta Lateral, 2008 é aquela minha imagem fetiche), de contrastes (o mesmo celeiro no verão e em seguida coberto por neve) ou cadeiras abandonadas num gramado já com ares de outono.


As outras duas séries são mais radicais. I love this Time of the Year é um achado ao acaso, perfeitamente esclarecido pelo próprio Dag: "Descobri no início da década de 1990 que se eu girasse a câmera em seu eixo quatro vezes, e expusesse o negativo quatro posições, o resultado era surpreendente! Nos últimos anos, trabalhei essa idéia seriamente. Essas imagens tratam de tempo e espaço, onde espaços são traduzidos em padrões e o tempo existe em camadas dentro da mesma imagem." Nova Iorque em calidoscópio.
Em This is Most Important ele usa exposição dupla e não gira a câmera, só aponta para outra direção, o resultado é mais figurativo e estranhamente sobrenatural.



DAG ALVENG
Nova Iorque / Noruega, 1979/2008
Caixa Cultural São Paulo
Até 10/05/09
www.caixa.gov.br/caixacultural

No MASP a Coleção Pirelli de Fotografia . Nomes consagrados que sempre ensinam e encantam. Especialmente: Zig Koch (Borboletas no Parque Nacional do Juruena, MT e outras bonitas naturezas clássicas).
Vânia Toledo (Rodolfo Scarpa com a primeira latinha de cerveja, aquela da Skol. Gal novinha, champanhe na mão, bronzeadíssima, top e saia estampada, colar de conchas, olho pintado e o indefectível cabelão. São clássicos adoráveis da sua série com personalidades). Fausto Chermont (Duna, MA, lindíssimo PB).



E o que é realmente novidade para mim: Ricardo Labastier (sóis escuros, estranhos), Ana Vitória Mussi (Quadra, interessante montagem de recortes), Barbara Wagner (Brasília Teimosa, PE, divertidíssimas, bregas, cores fortes).



Anderson Schneider (Eldorado, Cicatrizes, PBs críticas, fortes), Miguel Aun (Sem título, Diamantina, MG, o touro "sombra" na parede caiada, cores dramáticas), Andre Paoliello (neblinas lindas) e a comovente sala especial de André François dizendo tudo da possibilidade de uma medicina humanizada.


Coleção Pirelli MASP de Fotografia, 17ª edição.
MASP
Até 03/05/09

domingo, 19 de abril de 2009

Vivaldi e o sol

Hoje de manhã no SESC, o primeiro concerto comentado pelo maestro João Maurício Galindo, da nova série Um instante, maestro! O tema A Música Descritiva, disse sobre a elaboração dessa modalidade e, principalmente, sobre a arte da escuta. Enriquecedor.
Já gosto bastante da didática, da leveza e humor do maestro Galindo e os concertos Primavera e Verão das Quatro Estações de Vivaldi, executados no final, multiplicaram em mim os prazeres desse novo e ensolarado domingo-feriado de outono.


Um instante, maestro!
Maestro João Maurício Galindo e concerto com pequenas formações.
SESC Santo André, domingos às 11:00 horas, gratuito.
Próximas apresentações:
10/05/09 - A música pura
07/06/09 - A sonata e a sinfonia
19/07/09 - Harmonia e contraponto

www.sescsp.org.br

domingo, 12 de abril de 2009

Coisas que gosto

Feriado da Semana Santa, 2009. Dois atos. Ou, azuis e águas e sentimentos e alegrias.

Banho de sol, de vento, de água. Barulho de criança brincando, chinelos de dedo arrastando, água em movimento. O corpo na pedra mineira, toque lascivo, o choque (caetaneano) do branco com o azul. Azuis exagerados, aquele forte do fundo da piscina, o impecável do céu, o fingido da água. Com cheiro de cloro, despertando lembranças de outras tardes, outras piscinas, outras crianças.
Visita surpresa do carinho, da emoção, do bom papo. Querida Priscila.
Tarde de outono no SESC.


Casa de mãe, irmã, gato e cachorro. Algumas Heinekens. Conversas. Gene Kelly e Cid Charisse.

Uma vontade de ficar.

sábado, 11 de abril de 2009

Tudo é Passageiro



1° de abril de 2009

Fujo no fim da tarde para ver a exposição de fotos Tudo é Passageiro da Deborah Engel, no DConcept, em Sampa.
São painéis com séries de belas fotografias coloridas do colo de pessoas que vão em bancos de transportes urbanos. Não há rostos. Podem estar em ônibus, trens, barcas, metrôs. No Rio de Janeiro ou em São Paulo. Não importa. Há livros abertos, laptops, sacolas toscas de lojas 1,99, buquê de flores, lanche mordido, anotações ou contas sendo feitas etc. Por mãos judiadas ou cuidadas, anéis e pulseiras bacanas. Jovens ou velhas. Masculinas ou femininas. Passivas ou inquietas.
Contemplá-las é um jogo de suposições divertido e ao mesmo tempo dramático: indo para onde? chegando em que lugar? para fazer o quê? ansiando um encontro amoroso? carregando uma dor? muito feliz? doente? ferrado?
Transitório sim. Como tudo. Como eu, que também estou lá diariamente.