domingo, 31 de janeiro de 2010

Los Abrazos Rotos


Almodóvar sempre me encanta. Dia desses alguém me dizia não gostar de seus filmes cômicos, preferindo os "sérios" enquanto outro dizia ter saudades do "antigo" Almodóvar. Sinto, mas não posso enxergar essas dissociações, a mim dizem sobre existências escritas pelo artista, que obviamente também vive a sua existência com todas as suas transformações e ponto. E técnica e beleza. E cor e originalidade. E elegância .

Los Abrazos Rotos é isso e também uma celebração do Cinema. É deliciosa a brincadeira com Mujeres al Borde de un Ataque de Nervios em Chicas y Maletas e bela a idéia daquele beijo ressucitado, dissecado "quadro por quadro" e que desencadeia a comovente reconstrução do filme pelos três personagens unidos e redimidos.





Admiradora confessa desse homem genial, certos pruridos há em discutir sua obra (que creio conhecer praticamente toda), limito-me a alguns registros: a fotografia arrasadora da praia de El Golfo em Lanzarote, ao som sujo e rascante de Cat Power (em mais uma auto-referência já que a foto dos amantes "que guardam um segredo assim como aquela praia de areias negras" é real e colhida ao acaso por Almodóvar em 2000), a dolorosa canção As Ciegas com Miguel Poveda nos créditos finais e o que consegue da belíssima aunque inexpressiva Penélope Cruz: uma Lena terna e trágica.

E, claro, muitos vermelhos.


pppppppppppp ppppppppp

sábado, 23 de janeiro de 2010

Deixa Ela Entrar





Filmes com contexto de violência ou thillers precisam manter boa distância do lugar comum, Deixa Ela Entrar (Låt den Rätte Komma In, Tomas Alfredson, 2008, Suécia), baseado no livro de John Ajvide Lindqvist tem esse diferencial.
Gosto especialmente da fotografia (bela e cuidadosa) onde brancos e gris do inverno escandinavo, muito bem explorados, chocam-se com vermelhos sanguíneos (muitas vezes apenas sugeridos) ou com referências irônicas como o nome do pub: Sun Palace. E planos que à distância consolidam a solidão da trama, enquanto em detalhes trazem lirismo (muito tocante o encontro das mãos dos jovens na cena da cama).
Os protagonistas tem a beleza dos 12 anos mas que é andrógina e melancólica. Ao que me remete ao neo-realismo italiano, seus rostos são quase inexpressivos e fala-se pouco, a aproximação entre eles é através de gestos e silêncios. Eli, a vampira, muitas vezes está despenteada, descalça, unhas encardidas (e asexuada como é sugerido numa rápida cena de nudez) . Oskar é muito branco, cara angelical e uma coriza angustiante. A mitologia vampiresca desglamurizada.
Tudo é muito ambíguo. Podem ser papéis invertidos. Eli demonstra fragilidade, um cansaço pela tragédia da infância condenada à eternidade (cheia de mistérios a sua relação com o "pai", que talvez se esclareça nas entrelinhas de alguns momentos do filme). Oskar carrega, potenciais, raiva (é vítima de bullying na escola e invisível aos pais) e sadismo.
Pode ser uma história de amor, amizade e lealdade ou interdependência, são seres solitários, excluídos, não têm vínculos afetivos. Juntos completam-se, protegem-se e salvam-se. Mas é preciso não esquecer do que é Eli, uma predadora (excelentes as cenas de ataque) e que precisa ajuda e proteção humana para continuar neste mundo
Um filme de grande beleza plástica, originalidade, sutilezas. E que será certamente destruído na versão americana que vem por aí.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Vacaciones


by Cindy Sherman


Breves férias mas absolutamente plenas no gozo do ócio e da vadiagem.
E, sem culpas ou encanações curtir um big blockbuster na matinê bezuntada de pipoca com coca-cola. Avatar, 3D, é uma delícia de ver, tecno-eco-alegoria de dar vontade de domar também um ikran e viajar pra sempre na psicodelia da floresta biofluorescente de Pandora.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Hélio Oiticica

Exposição de trabalhos do início da carreira de Hélio Oiticica
DA ESTRUTURA AO TEMPO
IAC - Instituto de Arte Contemporânea
Rua Maria Antonia, 258, Sampa
3ª a sábado, 10 às 18h e domingo, 12 às 17h
Até 28/02/2010

sábado, 9 de janeiro de 2010

Cindy Sherman




A americana Cindy Sherman faz arte através da fotografia conceitual expressa em séries iniciadas em 1977 que eu arriscaria dizer, contam sua história, não apenas porque utiliza, principalmente, o próprio corpo como suporte mas porque ao "fabricar-se", atuar, está realizando suas fantasias, desejos ou curiosidades (que afinal são aquelas de todos nós! que coisa excitante permitir-se travestir, fingir ser outro naquilo que somos!).
O resultado é por vezes grotesco ou mórbido, violento, pornográfico ou simplesmente feminino, humano mas sempre muito interessante, divertido. Gosto muito dessa fase das bonecas e próteses. Intrigantes.

Verão

Oliveiras,Vincent Van Gogh


É quando é melhor viver. Diante da barra cor de laranja acordando pela janela da cozinha (que encoraja meu café eternamente proletário). Confirmado no som de grilos do quintal da Eletropaulo ou do trovão no fim de tarde. Celebrado quando há um vestido de alças, pés no chão ou a cada cerveja gelada, cada brisa, cada ardência na pele, cada lembrança de praia.
Sorrio mais no Verão.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O Paraitinga





São Luiz do Paraitinga-SP, carnaval 2009,
fotografado por Patricia Augusta Corrêa


Zanga do Paraitinga que faz doer a lembrança de tantas portas e janelas e cores e beleza, quando eram dias de sol e festa e risos. Saudade e pena.