domingo, 21 de março de 2010

Ang Lee

Taking Woodstock é uma delícia, um legítimo Ang Lee, nas cores (ele me parece sempre partir de uma base e ir “viajando” em cima, nesse caso, a cor verde), em como toca com elegância temas difíceis (aqui, a mãe avarento-castradora, a contracultura X convenção X capitalismo), no resultado bem alinhavado, agradável aos olhos e ao pensamento.
E já havia para mim O Tigre e o Dragão, o (erotizado) Desejo e Perigo e Brokeback Mountain, talvez a grande história de amor do cinema.

Particularmente, em Taking Woodstock fica ainda um pertencimento, uma alegria, um déjà-vu, porque não vivi realmente aquele tempo, panacona aos 13 anos que era, por sorte algo daqueles ventos que sopravam ficou em minhas entrelinhas. Até aqui.







Hoje à noite já é Mabon.

Já é Outono. Tem uma Nova quase Crescente bem aqui no recorte da janela do escritório e cheira bem o gramado que choveu. Desligo a Naomi Munakata, o Vozes, para apenas ouvir os grilos, cantam baixinho hoje, talvez seja noite de bocca chiusa ou eles sabem que já é Mabon e esse equinócio pede recolhimento, calma, reflexão ou que Hades não perceba a beleza desse instante.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Pedro Martinelli

Conversa de Livraria com o Fotógrafo Pedro Martinelli
Livraria e Centro Cultural Alpharrabio de Santo André
15/03/2010


Noite de segundona no Alpha, vou ver de perto esse fotógrafo cuja obra conheço e admiro.
Pedro Martinelli tem uma trajetória riquíssima na fotografia e disso nos fala, deliciosamente, até porque também vive uma vida admirável. Conterrâneo e contemporâneo, conta de caçadas da infância por matas de aqui que nunca imaginei e que provavelmente hoje não existam mais, como não existe mais o riozinho “Tchibum” (como chamávamos) nos fundos da minha eterna casa da Alameda São Caetano, onde buscávamos, pelas margens, barro para moldar coisas de criança ou catávamos, com meu pai, esterco para viçar o quintal. Corríamos livres por tudo aquilo que hoje é a Avenida Prestes Maia.
Das caçadas em Santo André para, já fotógrafo, um precioso trabalho com os irmãos Villas Boas na Amazônia, dali para carreira no fotojornalismo em grandes veículos e mil e uma coisas na área, esse homem viveu tudo na fotografia e o melhor é saber disso tudo por ele, ali, informalmente, muitas vezes dito com a vivacidade de uma “prosa de pescador”, um “causo” ou um papo de gourmet mas, sempre, com integridade e toda a idealista e persistente paixão terra-capricorniana.
Esse artista tem, felizmente, belos livros e um blog (http://www.pedromartinelli.com.br/) que já estou devorando, embora, vontade mesmo era de estar ali junto, águas amazônicas, naquele seu barco, ouvindo, vendo e aprendendo. Navegando




terça-feira, 16 de março de 2010

Anticristo



A idéia de registrar impressões sobre o Anticristo do Lars Von Trier despertou uma reflexão sobre minha longa relação com a arte do cinema. Sem grandes encanações (disso busco distância nesse momento), com clareza do meu diletantismo mas com a certeza de que algo esse repertório me acrescentou, pela fruição por si só, pela curiosidade que levou a pequenas pesquisas.

Anticristo perturbou, não com desconforto (como ainda me perturbam alguns outros filmes), com encantamento. É filme para rever, como também foi com Dogville, Manderley (meus favoritos do Lars) ou Dançando no Escuro e Ondas do Destino.
Signos esclarecedores são revelados no prólogo PB. De cara, pela lentidão da câmara e a belíssima ária de Lascia Ch'io Pianga de Häeldel ("...deixe-me chorar pelo meu destino cruel e porque eu desejo liberdade, deixe-me lamentar meu destino cruel." ) antagoniza o sexo intenso e frenético do casal. A brincadeira solitário-feliz da criança desemboca na tragédia que por sua vez se confunde com a bela queda de flocos de neve. Roupas continuam a girar dentro da máquina de lavar. Há um lapso de olhar de mãe. Misturas, contínuo, arrebatamento, lucidez, prazer, dor: vida-morte. É belo.
E daí se desenvolve a grande metáfora, uma costura primorosa e a grandeza do filme, na saga angustiante deste casal "perdido" na terrível "natureza" do "Éden", Deusa versus o Deus Cornífero do paganismo, a crueza dos Três Mendigos (sofrimento/dor/desespero-morte) da culpa judaico-cristã, as crias mortas. Um jogo de dominação/ subjugação, desejo/culpa/remissão.
Metáfora de todos nós, nossa natureza humana. É um filme religioso. Mas ainda algo sobre libertação e dito com o assencial: beleza, o que me levou a lembrar o Sacrifício de Tarkovsky (mesmo antes de ter chegado à dedicatória que Lars faz no final do filme). Talvez doloroso demais para um entendimento de prima.

E.T: Felicíssima a escolha da expressiva Charlotte Gainsbourg (que eu desconhecia como atriz) e Willen Dafoe.
E.T1: A crítica midiática absolutamente não me interessa, a dos amigos/parceiros sim.



domingo, 14 de março de 2010

Sincronicidade

07 de março. Ingressos esgotados. Na fila, que dá voltas desanimadoras pelo estacionamento da Sala São Paulo, aguardamos que se complete a platéia e improváveis lugares nos sobrem. Trato de ir corrigindo mentalmente a programação para o domingo, que começaria com o Concerto Matinal da OSESP. Eis que, meio desajeitado, um rapaz oferece a mim e ao senhor logo atrás, os seus ingressos. A fila toda aplaude e nós (salvos por nossos cabelos brancos), entre felizes e constrangidos, seguimos juntos.
Wilmar, meu companheiro de fortuna, além de bom conhecedor de canto lírico é um gentleman, ouvir Schumann e Debussy (pelas mãos de um bem humorado Yan Pascal Tortelier) nunca foi tão gratificante.
E o domingo segue com novo brilho, aquele do imponderável que me desperta para outra perspectiva, para o que pode ser fraterno, generoso. Para a leveza que posso ter.

09 de março. Joselisa, a seguidora misteriosa desse Sanyasa é a jovem soprano que se senta ao meu lado no ensaio do coro (Coro da Cidade de Santo André)! Garota serena que também ama os filmes e a música, cheia de interesses e curiosidades, original, como é a moçada bacana distanciada de clichês, que renova a esperança.

Epifanias.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Glauco

Choque. Dia de grande tristeza e perda. Para a arte, para o pensamento, para a alegria, para a minha história, para esse nosso pobre mundo.
Eterna, tua obra vive. E nada mais a dizer.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Allegro Affettuoso

Quando quase acaba um sábado na casa da Rua das Laranjeiras, vêm já as sombras e o silêncio a mostrar toda a ausência que hoje há.
Só Clara & Estela (luz & luz), o exagero de falas, risos, a afeição sincera, o querer estar perto (o amor que é fato porque se fez no início) me salvam, nutrem e reconstróem. Esperança.