quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Surya Namaskar!

litha, solstício de verão. 
o esplendor. o grande gozo. o salto.
para a escuridão. 
a inexorável e fascinante roda sabática: vida

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Feriado

despertar sem campainha, na hora dos bem-te-vis (na alta noite, corujas. muito cedo, os sabiás. agora bem-te-vis. então, tizios e por fim a gaivota preta), naquele lado da casa voltado para o sol da manhã e para a possibilidade de pequenos prazeres sem culpas: a caneca de café diante da janela da cozinha (e o gramado vivo da eletropaulo), um chuveiro muito lento. 
e é quarta, tem feira na porta, pastel. na geladeira umas Heinekens.
basta.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

"Caia fora do contexto, invente seu endereço"


saí do cinema de bem comigo. como é, sempre que driblo o desejo maior de correr pra casa, não encarar aquela multidão, a volta maçante. Sampa sempre vale, devolve a dignidade. da mesma forma, Daquele Instante em Diante, celebrando Itamar Assumpção. 
conheci a obra de Itamar tardiamente, anos 90, mas tive sorte, pela mão de amigos apaixonados e maior, de assisti-lo ainda em dois shows. também me apaixonei, é visceral, inventiva. contundente e lírica. deliciosamente casada a sua figura febril, sua entonação original e inconfundível. não entrar no mainstream era inevitável.
o grande artista Itamar está eternizado nos discos e em registros de imagem que ficaram, hoje ao alcance na internet a todos os jovens curiosos e interessados em música de primeira qualidade. o belo documentário de Rogério Velloso desvenda, principalmente, o homem, através de suas pessoas queridas, devagar, entre um cafezinho coando-se, a panela de barro fumegante de uma filha, um sofá, um quintal. com delicadeza, carinho. canções, saudades.
diria que ainda estamos de bem, eu e esse grande nó na garganta, arrebentado quando ele cantou a capella, perto do fim, a Dor Elegante do Leminski, poema tão cheio de significados para mim. porque ampliou o entendimento e revelou que será sempre assim, sem mistérios, para aqueles que nunca se ajustarão.

"Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal, do sal, do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem mil lágrimas, sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre."

(dois fragmentos de Milágrimas, Alice Ruiz e Itamar Assumpção)

domingo, 3 de julho de 2011

Noite de São João, para além do muro do meu quintal.


Na casa da Alameda São Caetano havia um dia em junho que, com restos de madeira de todos os cantos da vizinhança, erguíamos aquela que iria arder na grande razão da noite de festa. Era no terreno atrás dos muros do nosso quintal, a faixa de terra estendida até o córrego (o Rio Tchibum, como dizíamos) que hoje repousa,  inacreditável, sob a via expressa da Prestes Maia.
O portão de madeira proibido, só se abria em ocasiões como essa ou quando meu pai, depois de aparada a grama e tiradas as folhas mortas do quintal, saía para queimá-las ou buscar esterco seco para adubo, íamos todos. Às vezes chegávamos até a margem de barro do rio e trazíamos matéria para moldar coisas que entendíamos como bichos, pessoas, objetos, e girinos capturados na esperança da metamorfose em sapos (sempre morreram prematuros). O asfalto da D. Pedro II era o limite.
Para a festa, traziam os vizinhos (dos quais nunca nos aproximamos de fato) tigelas de pipocas, arroz doce, canjica e batatas-doces para as brasas. Havia pequenos balões de seda e tocha de cera (que, para minha tristeza, sempre queimavam antes de alcançar altura), bombinhas, estalos, fósforos de cor e umas coisas encantadoras que chamávamos de estrelinhas, um micro bastão de fogo de artifício que se desmanchava em luzes nas nossas mãos. Tinham os cheiros de pólvora, de lenha, do limão raspado sobre o arroz doce, de gengibre e canela. E o conforto hipnotizante daquela fogueira enorme (tudo era grande, então), troncos carbonizados desmoronando, partículas de brasas trincando. E eu queria que ríssemos mais, ou cantássemos e  fizéssemos uma quadrilha até o fogo apagar. Isso nunca aconteceu.
Vieram depois as fitas entrelaçadas nas danças circulares de escola, uns vestidos engraçados, adivinhações e simpatias para Santo Antonio e um certo casaquinho de nylon, branco e rosa, com mangas enormes de pelo sintético, justinho na cintura e delicioso cheiro de roupa nova de loja bacana (usei pouco, muito over, mas jamais esqueci) para arrasar na boatinha da quermesse do Américo. Coração a mil.

Atavismo ou apenas encanto, até hoje me alegro nas festas de junho, ouço os rojões, quero estar lá. Ontem fui, tardia (já julho), à quermesse do Carmo, tinha algum ânimo ainda, saía do ensaio com o coro e a noite estava boa. A praça da catedral tem bonitas árvores, embora bancos sujos de pombos e  amplificadores que vomitavam o sertanojo óbvio, mas as barraquinhas animadas por todas aquelas beatas tão gentís, honraram a tradição: quentão impecável, churrasquinho com vinagrete, canjica.
Noite de festa, apenas eu um pouco mais sozinha.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Yule



Junto com o tempo, vou me reencontrando com a Natureza, sem dar conta, em silêncio, tão invisível como ele, o tempo, as frestas dilatando-se, oferecendo os sinais impressos na história recontada por minhas lembranças. Frescas de tardes, constelações, calores intensos, água muita (água sempre) e jogos de luzes solares.
O espanto das sensações inteiras revividas (cheiros, texturas, caras, lugares, eu) e as epifanias da plenitude. Se há que religar, sagra-se por aí.
Está, sempre esteve, porque vai sem ir, permanece. Leis e respostas claras, cruas, fáceis e extraordinariamente sublimes e terríveis.
Então, se ainda me desola a temporária ausência de brilho, o gris e a umidade, há a confortadora compreensão da alegria que supunha em sombras, a luz, que na verdade renasce, serenamente, da noite maior (o solstício) e haverá beleza em todos esses P&B (elegantes como as fotografias que coleciono), humor nos ventos do sul e doçura no grande silêncio das noites geladas.
Apenas vigia, o pai de toda cor. mas quer coragem.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O mundo imaginário do doutor Parnassus


No O mundo imaginário do doutor Parnassus, de Terry Gillian (Monty Python), está presente mais uma vez a luta entre o bem e o mal, a negociação pactual com o diabo que aqui é contada como  fábula, numa atmosfera onírica. a interessante fotografia sombria, esmaecida oscilando com cores bregas. o cenário londrino úmido, triste e contemporâneo contrapondo-se ao figurino anacrônico, engraçado, esfarrapado e seboso da trupe mambembe. a alegria ingênua do espetáculo fantástico por ruas de uma realidade hostil.
O "bem" vem representado pelo milenar dr. Parnassus, Christopher Plummer, o "mal" é o diabólico sr. Nick, o impagável Tom Waits. a dualidade também está entre a linda mocinha Valentina, a carinha de porcelana Lily Cole e o malandro sedutor Tony, Heath Ledger. 
Um mundo que apenas segue. governando-se. a imaginação a iluminar, transformar a vida.  vida que subsiste à custa da exploração de sua própria miséria (a criança de terceiro mundo, a mulher pelada, o comércio de órgãos e tal).

Há crítica, sim, mas tudo está nas entrelinhas, com muito humor. os estereótipos são quebrados no humor. consta, inclusive, que Gillian  teria declarado que muitos dos diálogos cômicos foram improvisados por Heath Ledger, durante as gravações. não duvido, para mim Ledger foi a mais lamentável perda de nosso cinema atual. 
Ledger morreu antes do filme finalizado e a saída, depois do baque, foi modificar o roteiro. Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law foram escalados e a solução interessante (um pouco brochante para mim, embora, pela inevitável comparação, evidencie ainda mais as qualidades de Ledger.). 
Detalhe comovente: Depp, Farrell e Law optaram por conceder seus cachês à Matilda, filha de Ledger, ainda não incluída em seu testamento e Gilliam alterou os créditos de "um filme de Terry Gilliam" para "um filme de Heath Ledger e seus amigos". acho isso bonito.


quarta-feira, 1 de junho de 2011

A feira livre do Alvorada

se pudesse não entrava em supermercado, gosto mesmo é de feira livre, do espaço aberto,  chinelo arrastando, a familiaridade, as receitas, as piadas clássicas, atrevidas. daquela policromia e tantos cheiros (no supermercado tudo cheira a supermercado), nacos suculentos de se provar ou frutas e pequenos pastéis (imbatíveis) que se descobre a mais, depois, enfiados com toda a compra. 
quando saí no mundo tive a sorte, perto da primeira casa que fiz, da feira da Consolação, ali atrás do cemitério ou a da praça Roosevelt, aos domingos. possivelmente não existem mais, eram anos 80 e de lá para cá já fiz outros caminhos e casas. hoje, bem à porta, está o grande barato de todas as minhas férias e feriados.

domingo, 22 de maio de 2011

Domingos

volto pra casa de cabelo molhado, pele trincada de cloro, de sol, de um azul intenso sem nuvens. rio sozinha. eles entram no ônibus em frente ao Grand Plaza, driblando carros e gentes. nas mãos mil Marizas e Besnis. ofegantes

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Verão, 1966

Figueira da Foz, Portugal

azul e branco eternizados. para as tardes de sol e calmaria. com a mesma incidência de luz na vidraça, a mesma parede impecável aquecida. impressão feliz de conforto e integridade, embora a maresia forte, os grãos rudes. para agora, este outro tempo, este silêncio, esta mulher.

Liberdade condicional

trinta dias na condicional/ bolso vazio/ todavia, algum sol ainda, uma pilha de livros, música nas estantes/ paciência, da fábula, escolhi a cigarra.

sábado, 30 de abril de 2011

Sábado, 28°

O amontoado triste de sardinhas da longa semana é a excursão tagarela e engomadinha do sabadão. hoje, o gel esculpiu cabelos de meninos, meninas exageraram no Kolene e senhoras já têm unhas decoradas. a ordem é pular entre os bancos do ônibus, à procura da melhor sombra ou ângulo para risadas.
Na minha mochila maiô, partitura e a possibilidade de redenção.

sexta-feira, 25 de março de 2011

I wanna love you, and treat you right.

a senhora na poltrona do ônibus faz tranquilamente a higiene bucal, conferindo tudo após cada ataque de fio dental, privacidade pra que? matar de nojo os outros? que outros?
e é assim também com o nextel, com o celular viva voz ou na conversa íntima e chatérrima no último e ardido volume (geralmente conversas chatas são em tom ardido ou de ladainha).
um mundo de invisíveis, mentes zeradas. gente muita e massacrada, que encontra alívio na viseira bruta ou no desespero do alarde.
amargura diária, que as vezes se alegra assim de surpresa quando, na varanda vizinha da casa de recuperação, o rapaz solitário canta e dedilha Is this love e talvez nesse instante sinta-se mesmo limpo, apesar do rosto triste.
um instante. rápido demais pra me dar algo além de um riso amarelo.

domingo, 20 de março de 2011

Carancho

Fase de pouca escrita, ânimo pouco, às vezes filmes. E aí vem um que depois martela a cabeça dias e dias. Carancho, do argentino Pablo Trapero, é ele.
Cheio de sentidos inquietantes, dá start com a indústria de indenizações por seguro de acidentes de trânsito (o nosso DPVAT, seguro obrigatório para veículos automotivos).
Sosa (Ricardo Darín) é o cara que faz a máquina rodar: o mesmo serviço médico que socorre, avisa a "corretora" e o advogado carancho ataca, sensibiliza o acidentado ou sua familia (ingênua, desinformada, abalada) a entrar com pedido de indenização e, uma vez paga ao escritório, só uma parte ínfima chega à vítima.
Lujan (Martina Gusman) é a jovem médica emergencista que dobra plantões pesados no hospital e na ambulância e é pressionada por chefias que põem em risco a vida do paciente e, absurdamente, cobram dela eficiência.
São explorados, desamparados e solitários. À margem. Sobrevivem na intermediária do limite, Lujan  através da farmacodependência e Sosa do sonho em recuperar a licença de trabalho cassada, largar toda a sujeira, mudar-se para o interior. Um dia cruzam-se, unem-se no caos, mais que por tesão ou amor, desespero.
Crítico, ácido, brutal, existencial, o relato é engenhosamente amarrado pela fotografia (Julián Apezteguia) escura (muitas cenas são noturnas e mesmo as diurnas não são "solares"), triste e por enquadramentos angustiantes (closes, cortes, andamentos  nervosos), planos-sequência (finais) de arrepiar   e quase nenhuma soundtrack (um tango abrindo, um instrumental ali, um rock fechando, apenas), além dos excelentes atores.
Também gosto mais do título original, Carancho,  no lugar de Abutres, tem mais força, cai melhor: salvo erro já é um termo arraigado na Argentina e carancho é o nosso carcará, ave que se alimenta de carniça ou faz caça oportunista (animais fragilizados, roubo de presas), também tem hábitos solitários e alguma representação de poder (embora desprezível)
Além da qualidade do filme de Trapero e das tantas questões latentes (algumas vindo agora, ainda martelando), toca-me muito essa proximidade tão grande à realidade por onde caminho (e repugno), de corrupção, manipulações e minha total incapacidade de reação...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Voltando a nadar


uns recortes felizes de luz e sombra. sopro fresco, na cara e na hipnótica superfície azul. cloro, suores, gritos. lembranças de alegria. 
daqui (pelo ângulo da espreguiçadeira): uma vida melhor, mais clara e chã. larga e descomplicada como chinelos de dedo. do mergulho de cabeça à lassidão, sem culpas. verão apaixona.
e devolve a esperança.

(e já sei ler no rumor a hora certa de ir, antes da tempestade)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Sessão dupla

O Homem que engarrafava nuvens, do pernambucano Lírio Ferreira (Baile Perfumado, 1997. Árido movie, 2004. Cartola, música para os olhos, 2007) é um daqueles documentários que gosto: tem ritmo interessante, bonita fotografia e novidade, pelo menos para mim que, confesso, desconhecia totalmente Humberto Teixeira como o inventor do baião com Luiz Gonzaga. Só Luiz ficou no meu registro. E a música nordestina ainda me é intrigante, porque fiz para ela (e me ajudou o entorno) umas sobrancelhas carregadas por muito tempo, demorei a notá-la como gosto que seja notada toda a música e demorei a desvinculá-la da empobrecedora massificação. Então, hoje, ela sempre me surpreende e aqui (pelo meu desconhecimento) no seu esplendor. Como o baião interessou e influenciou músicos tão diversos e em tantos lugares! Cantou-se baião em espanhol, japonês, inglês, Joan Baez, David Byrne...
E esse caminho musical e histórico vai paralelo ao pessoal, através de Denise, a filha, que faz a sua viagem. De volta à relação familiar complicada, às rupturas, aos silêncios, às coisas não ditas e que já não podem. Denise Dumont, a bonita ruiva da TV da minha juventude. A filha que tenta decifrar esse pai. E o legal é que apesar de toda a carga emocional, nunca despenca no piegas, sempre há uma alegria subentendida, seja pela descoberta de respostas, seja pelo justo orgulho pela obra do artista.


É filme para lembrar, como o tocante instante em que um humilde consertador de sanfonas fala de seu ofício, com simplicidade, arte e paixão. E como é sempre bonito e solar o nosso nordeste!

Cinema, aspirinas e urubus, do também pernambucano  Marcelo Gomes, 2005, tem uma fotografia que chama a atenção de cara. As primeiras cenas trazem o automóvel e uma estrada, o exterior tem a luz estourando, quase highkey, enquanto o interior do veículo é mais definido. O sertão (da Paraíba) é esturricado, dolorido, solitário, em contraste o que é estrangeiro é novo,viceja, é feliz. Ou aparenta ser.
É um típico road movie. São seres deslocados,  aquele que é estrangeiro, aquele que se sente estrangeiro, são solitários e carregam sofrimentos. E seguem juntos por estradas, cidades, pessoas. Uma história delicada bem contada, na contramão (felizmente) do enfoque batido miséria-violência.
Peter Ketnath (Johann) é sedutor e João Miguel (Estômago), o narrador Ranulpho, prova mais uma vez que é um senhor ator. 


domingo, 23 de janeiro de 2011

O ônibus, das minhas longas idas e vindas diárias, além de poltrona de leitura, é muito, de delicioso voyeurismo auditivo e conhecimento humano.
Às vezes pérolas de desinteligência:  "Paz do senhor... pois é, agora sou pastor evangélico... estou em férias... viajei sim, pra um retiro... não, não vou à praia, aquela gente seminua, bebendo, deus não gosta disso... mas a viagem foi muito boa sim, se bem que na estrada o radar me pegou, graças a deus eu tinha R$ 50,00, dei ao guarda e ele não me multou. Paz do senhor."

Às vezes a hiperbólica sabedoria popular: "O cara é mó 171, dá nó até em copo d'água."

domingo, 9 de janeiro de 2011

Ricardo e Graciela

Sei hoje um pouco mais sobre até onde ir antes de me chatear completamente. Por isso saí tão rápido do Museu da Língua Portuguesa naquele sábado. O falatório, os esbarrões, as câmeras digitais compulsivas e cegas, a exposição em si. Fernando Pessoa, plural como o universo é informativa e importante sim, dá prazer ver ali tantos jovens manuseando exemplares, pessoas em contato com a obra grandiosa de Pessoa. É bacana, é correta, é no padrão Museu da Língua. Apenas.

Mas foi na Pinacoteca do Estado que encontrei surpresa, desbunde.

O lado de lá - Angola, Congo, Benin, do fotógrafo brasileiro Ricardo Teles, apresenta 30 fotografias PB realizadas na África. Gente do povo, situações cotidianas ou rituais, muitas crianças, praias e lugares. Um deles é o Portal do Não Retorno, monumento erguido nos anos 90, na Praia de Uidá, República do Benin, em memória daqueles que embarcaram exatamente ali, escravizados, para nunca mais. A praia é o resto de terra, última coisa sua antes do navio negreiro. É a imagem que me tranca a garganta, me revira em náuseas de raiva, de vergonha. A grande tragédia de um povo sintetizada ali. (E como eu gostaria de esfregar em certas caras! e calar suas mentiras confortáveis.)

Portal do não retorno, Benin, Africa.


Ritual vudu, Benin, África. (10 de janeiro, feriado nacional da Festa Vudu, religião predominante)

As fotografias de Ricardo são perfeitas, técnicas e vivas, é possível enxergar no PB todas as cores dos desenhos daqueles lindos panos de vestir, as luzes solares nas praias, nas ruas e o que deve haver de sombrio em algumas situações. Descubro um grande fotógrafo.

" Fotos a serem vistas e entendidas não apenas como um projeto visual, aproximar esses dois mundos significa tentar entender como vivem os que estão do lado de lá para que hoje possamos reconhecer como estamos existindo nesse outro mesmo lado, o lado de cá." (Diógenes Moura, curador da mostra.)

E a retrospectiva de Graciela Iturbide, fotógrafa mexicana. PBs deslumbrantes, perturbadores, plenos em estranhamento e poesia, excertos de projetos ao longo da carreira iniciada nos anos 60.

Seris: os que vivem na areia. Imagens do povo seri (Sonora, México) às vezes fantásticas, às vezes retratos de rostos graves, mas sempre tons sombrios, desolados.

Juchitán das Mulheres. O curioso matriarcado zapoteco (Oaxaca, México), que entre outras coisas, mantém agregados os muxés, homossexuais masculinos travestidos. São apresentados retratos muito interessantes, bizarros.

México: rituais de festa e morte. As tradições católicas e indígenas rituais, como a fascinante e intrigante (para mim) Festa dos Mortos.


Em nome do pai, terríveis cerimônias de sacrifício de animais dos mixtecas (Oaxaca, México). E O banheiro de Frida, o aposento da casa-museu de Frida Kalo, fechado desde sua morte em 1954, por ordem categórica de Diego Rivera, que, finalmente revelado em 2006, é documentado por Iturbide, com o cuidado devocional que merecem as relíquias.

Paisagens e objetos, são fotos no sul dos Estados Unidos e na Índia, impregnadas de solidão e poesia.


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Contramão

Na contramão das compras alucinadas, das receitas antisstress da rede globo, das alegorias kitsch dos Bancos da Paulista, o gosto bom e lento das férias em dezembro:

MASP, Wim Wenders e seus Lugares, Estranhos e Quietos. 23 fotografias gigantes (125 x 124 cm ou 447 x 178 cm) de caminhos, ou trechos de caminhos possíveis, quando se vê no banal o inesperado daquilo que já vai em corrosão, ou muito só, ou intrigante ou apenas está ali, no caminho. A beleza silenciosa que espanta, que dói e alegra, porque a beleza quando é, é torta. Ávido olhar, e parceiro.


Win Wenders, Armênia, 2008


E do acervo do museu, os fetiches,



Claude Monet, A canoa sobre o Epte

É a fotografia viva, pulsante, que sempre me comove e surpreende numa nova descoberta de luz, cheiro ou frescor.


Vincent Van Gogh, paixão.

Passeio ao Crepúsculo

O Escolar

Banco de Pedra no Asilo de Saint-Remy

A Arlesiana



(E tinha, nas árvores do Trianon, bonitas luzes azuis. )