segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

"O Trem da Alegria promete-mete-mete-mete, garante que o riso será mais barato,dora-dora-dora em diante que o berço será mais confortável, que o sonho será interminável, que a vida será colorida, etc e tal. Que a Dona Felicidade baterá em cada porta, e que importa a Mula Manca se eu quero?!" (A felicidade bate a sua porta, Gonzaguinha)

 “’Nós inventamos a felicidade’, dizem os últimos homens e piscam entre si. Abandonaram as regiões onde é duro viver: pois a gente precisa de calor. Adoecer e desconfiar, eles consideram perigoso: a gente caminha com cuidado. Louco é quem continua tropeçando com pedras e com homens!” Nietzsche.

“Você é feliz ou tá fora do jogo!” Grita nosso último homem e crava esse riso a ferrete. Segue o rebanho em marcha, reto, o mantra entre dentes: “Sou feliz, sou feliz! E se sou feliz, vivo!” Está garantida a vitória, a sanidade, a beatitude. Não, não queira pensar, duvidar, franzir a cara. Ou meta-se lá com os párias.

Haverá quem prefira a margem, o solo movediço, inconstante, sulcado de dor e alegria. A vida crua, que não vende cerveja na TV, não tem botox na cara (eternamente risonha) ou silicone na teta, não é o mais novo  guerreiro/vencedor de um BBB, nem o final feliz da novela.

Desse lado é mais silencioso talvez, sem opiáceos, menos frenético. Mas fértil, pulsante e vibra, sim, vibra.  Aqui felicidade não é meta a se cumprir. Aqui ela está brigando pau a pau com o tédio, com o sofrimento, por uma lasca desses vinte e quatro pedaços cotidianos que a Terra oferece, enquanto não desistir de girar em torno de si e enquanto a gente estiver pela superfície.  

Então, riam bastante últimos homens, riam também de mim, não me interessa, essa liberdade, essa me interessa.