“Você é feliz ou tá fora do jogo!” Grita nosso último homem e crava esse riso a ferrete. Segue o rebanho em marcha, reto, o mantra entre dentes: “Sou feliz, sou feliz! E se sou feliz, vivo!” Está garantida a vitória, a sanidade, a beatitude. Não, não queira pensar, duvidar, franzir a cara. Ou meta-se lá com os párias.
Haverá quem prefira a margem, o solo movediço, inconstante, sulcado de dor e alegria. A vida crua, que não vende cerveja na TV, não tem botox na cara (eternamente risonha) ou silicone na teta, não é o mais novo guerreiro/vencedor de um BBB, nem o final feliz da novela.
Desse lado é mais silencioso talvez, sem opiáceos, menos frenético. Mas fértil, pulsante e vibra, sim, vibra. Aqui felicidade não é meta a se cumprir. Aqui ela está brigando pau a pau com o tédio, com o sofrimento, por uma lasca desses vinte e quatro pedaços cotidianos que a Terra oferece, enquanto não desistir de girar em torno de si e enquanto a gente estiver pela superfície.
Então, riam bastante últimos homens, riam também de mim, não me interessa, essa liberdade, essa me interessa.
2 comentários:
Ô Patrícia! você precisa escrever mais, muito mais. Gosto disto! Ironia bem dosada, ideias da quais compartilho. Busquemos, sim, para além dessa tal "felicidade" vendável, sordidamente vendável.
Grande 2012 pra você! Escreva, escreva mais...
dalila
obrigada Dalila, pela leitura, pelo incentivo. para você também, grande 2012! abraço.
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