domingo, 24 de junho de 2012

Grace, uma prece




"É uma canção sobre morte, não sobre o temor à morte, Grace é, basicamente, uma oração de morte, não de tristeza, mas de libertação do medo de morrer. Porque não há saída, não há milagres, apenas viver.Até a hora de ir. " Jeff Buckley



A lua pede para ficar
Até que as nuvens me levem para longe.
É minha hora chegando.
Não tenho medo de morrer,
Minha voz enfraquecida canta o amor.


Mas ela implora, ao relógio que pulsa:
"Oh, tempo, espere no fogo!"
E, com tristeza, caminhando para a Luz,
Ela chora em meus braços:
“Vamos beber um vinho, podemos partir amanhã, meu amor!”


A chuva cai,
Sei que a hora chegou.
Ela me lembra de que a dor ficará para trás:
"Espere no fogo..."
E inunda meu nome
Com um beijo. 
E então,
É tão fácil entender.
E esquecer.
Não tenho medo de partir, por que demora tanto?


("Grace", canção composta por Jeff Buckley e Gary Lucas, em minha tradução livre, com a colaboração preciosa de minha irmã, Nora, tradutora e revisora de primeira.)





in The Late Show da BBC, com o corte mal feito no início e a falação chata da inglesa,mas "ao vivo", porque tem que ser:


domingo, 3 de junho de 2012

Song to the siren

Jeff Buckley, film still, NY. 1995. in ZippyBites.com


gosto de pensar em um resto de primavera quente, a noite boa. talvez uma bola rápida, o boombox, as canções e o gramado além da marina, rente ao rio. você pode ter se lembrado de "Alligator Wine", feito aqueles sons de bichos, bem alto, ou todas as caras e gestos engraçados que vêm com suas imitações, gargalhando de si mesmo. e corrido de repente para a água, de sacanagem, rindo seu grito de raiva e ironia. pra flutuar, mãos brancas estendidas, botas negras balançando devagar, quase no tempo daquela longa e cristalina fermata que você equilibrava no sorriso. longe, você viu um relâmpago. e o Wolf  te desejou.
gosto de pensar que foi assim.