domingo, 13 de outubro de 2013

sim, foi uma noite luminosa, que está aí estampada em nossas caras. gosto dessa palavra: luminosa. naquela noite voltei pra casa pensando nela, pensando nesses instantes, nessas pessoas. em mim com elas. Eurides descobrindo tantas coisas, os sentidos todos ligados. Rebecca trazendo de Trinidad e Tobago muito mais do que todas aquelas histórias encantadoras que me contou, e que orgulho danado da mina porreta que ela é!
são coisas assim que fazem você não desistir.


sábado, 5 de outubro de 2013

dou início às festividades. dia de folga pra me encher de presentes. coisas bestas da 25 e grandiosas: o Dalí na Divina Comédia e a moussaka do Acrópoles (pena a simplicidade de restaurantezinho do Bom Retiro já estar contaminada pelo pedantismo coxinha paulistano).
mas foi bom, ah se foi! me, myself and Banksy (presente luxuoso da querida Mariana Festucci)


e Sampa. Sampa sempre me salva.

sábado, 28 de setembro de 2013

ouvir a Nina e ler poemas de Charles Bukowski compulsivamente numa noite de sábado poderia ser normal, se o vento não continuasse a uivar na janela e tudo não estivesse tão solto por dentro que eu já não cogitasse a possibilidade de consertar.
sim, talvez também haja "alguma coisa errada comigo além da melancolia".

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

as pessoas podem ser terrivelmente egoístas quando estão desesperadas. 
talvez você compreenda isso enquanto ouve uma antiga canção e o vento vem uivar em sua janela. 


terça-feira, 24 de setembro de 2013

às vezes ainda penso que seria bom chegar e encontrar as luzes acesas.
então,
deixo o guarda-chuva pra secar no meio da sala
esquento a sopa de legumes.

domingo, 22 de setembro de 2013

Ostara

líquida. presságio da coragem para recomeçar.

Campos de flores na Holanda, 1883. Van Gogh

"Desconfie das belas paisagens de Van Gogh turbilhonantes e pacíficas,
convulsionadas e pacificadas.
É a saúde entre duas recaídas da febre ardente que vai passar.
É a febre entre duas recaídas de uma insurreição de boa saúde." 
(Antonin Artaud - Van Gogh, o suicida da sociedade)

domingo, 15 de setembro de 2013



"Aos que trazem coragem a este mundo, o mundo precisa quebrá-los, para conseguir eliminá-los, e é o que faz. O mundo os quebra, a todos; no entanto, muitos deles tornam-se fortes, justamente no ponto onde foram quebrados. Mas aos que não se deixam quebrar, o mundo os mata. Mata os muito bons, os muito meigos, os muito bravos - indiferentemente."
Adeus às armas, Ernest Hemingway.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Strange Fruit


(Abel Meeropol, Robert and Michael)

Strange Fruit é um poema de horror e revolta escrito na segunda metade dos anos 30 por Abel Meeropol, professor do Bronx, estarrecido diante das constantes perseguições e mortes de negros naquele tempo e, principalmente, sob o impacto da terrível imagem de Thomas Shipp e Abram Smith linchados e enforcados em Indiana, registro fotográfico de Lawrence Beitler que corria o país.

Além de professor na escola pública, poeta e compositor (com o pseudônimo Lewis Allan, prenome dos dois filhos que gerou e que nasceram mortos) esse americano de origem judaica defendeu o pensamento comunista, humanitário e os direitos civis, embora vigiado de perto a partir dos anos 40 e adotou, no auge do macarthismo, Robert e Michael, órfãos de Julius e Ethel Rosenberg (executados em 1953 sob suspeita de espionagem russa), crianças rejeitadas pelos próprios parentes assustados.

É esse o homem: capaz de criar um poema-canção tremendamente contuso e congelar diante de brotos de arbustos descobertos no passatempo-ritual absolutamente americano da poda de jardim. Incapaz de cortá-los (matar), paciente recolhia, transformava em mudas e distribuía pela vizinhança. 

Billie Holiday eternizou uma Strange Fruit dilacerante. Nina Simone ou Siouxsie and the Banshees também têm versões fortes. E dia desses encontrei esta, um registro muito cru, gravado em DAT, início dos anos 90. Violão, voz, um microfone de estação de rádio. Apenas. Mas com dor suficiente.

(KCRW show "Man In The Moon", 04.01.94, Jeff Buckley plays Strange Fruit) 


Southern trees bear a strange fruit,
Blood on the leaves and blood at the root,
Black bodies swinging in the southern breeze, Strange fruit hanging from the poplar trees. Pastoral scene of the gallant south, The bulging eyes and the twisted mouth, Scent of magnolias, sweet and fresh, Then the sudden smell of burning flesh. Here is fruit for the crows to pluck, For the rain to gather, for the wind to suck, For the sun to rot, for the trees to drop, Here is a strange and bitter crop.


As árvores do Sul estão carregadas com um estranho fruto, sangue nas folhas e sangue na raiz. Um corpo negro balançando na brisa sulista, estranho fruto pendurado nos álamos.Cena pastoral no galante Sul, olhos esbugalhados e boca torcida, perfume de magnólia doce e fresco, então, o repentino cheiro de carne queimada! Aqui está o fruto para os corvos arrancarem, para a chuva recolher, para o vento sugar, para o sol apodrecer, para as árvores derrubarem. Eis aqui uma estranha e amarga colheita.