sexta-feira, 14 de novembro de 2014

domingo tinha Sol. era um lindo lugar. e toda aquela gente acreditava em Liberdade.

9/novembro, V Feira Anarquista de São Paulo, Tendal da Lapa.




livros, zines, jornais, dádivas, recados > consciências Libertárias






o Tendal da Lapa foi um dia distribuidor de carnes, colado que está à linha do trem (CPTM L8 Lapa). é uma construção antiga com fortes traços art déco, estruturas visíveis do telhado, plataformas-docas e vigas de concreto armado (ainda com os trilhos que serviram para pendurar as mercadorias) de uma amplidão, decadência e solidão encantadoras! em 2007 foi tombado como patrimônio Histórico Municipal pelo CONPRESP e hoje tem a alegria de um centro cultural, um pequeno jardim cheio de restos de carros de bois (e uma amoreira) e, creio, algum órgão público burocrático durante a semana.














    Sri Ganesha



























       picnic




sábado, 20 de setembro de 2014

olhado à distância o silêncio é maior. e a solidão. das cidades. de nós todos. juntos e tão sozinhos.











































Gustavo Acosta desenha e pinta. obras imensas e desconcertantes. nasceu em Cuba, vive em Miami. 







sábado, 13 de setembro de 2014

José Leonilson Bezerra Dias nasceu em Fortaleza em 1957. Ganhou mundo. Morreu em 1993 em São Paulo. Muito jovem.

Fui arrebatada por sua Arte em 2011, na exposição Sob o peso dos meus amores do Itaú Cultural.

Sob o peso dos meus Amores

Domingo fui me reapaixonar. Leonilson: truth, fiction está na Estação Pinacoteca.




Favorite game

Algumas coisas me tocam muito e em muitos sentidos. Com Leonilson, gosto de pensar na palavra: Beleza.
Quando desenha e borda figuras, algarismos, palavras ou frases, muitas vezes pequeninas flutuando no vazio, à primeira vista te surpreende, ele diz: "Chega aqui pra perto". Desafia. E então te mostra solidão, desilusão, angústia de uma doença de morte, raiva ou a dolorida reflexão sobre a contemporaneidade ("Geração 80"). Ao mesmo tempo te confessa coisas do amor, da amizade, alegrias, desejos, sensualidades (tantas sinuosidades!)ou brinca. Com delicadeza. Quase infantil. Mas não. 















Leonilson: truth, fiction. Estação Pinacoteca.

Há recados explícitos e sugestões. A transitoriedade da existência está ali, nas tramas frágeis: o voile, o algodão ou o papel jornal. Ao mesmo tempo, o desejo da memória familiar eternizada, a (impossível) volta ao núcleo protetor (o pai comercializava tecidos, a mãe bordava). 









 



Se você sonha com nuvens I


A Arte de Leonilson, que vai muito, mas muito além do desenho, do bordado (há pinturas, esculturas, instalações, textos etc. e coisas que ainda me surpreenderão) é a síntese encantadora. É poesia. Dor e alegria. Beleza apenas.
























Coração em chamas

Projeto Leonilson: 
http://www.projetoleonilson.com.br/

Sob o peso dos meus amores:
http://itaucultural.org.br/leonilson/

Leonilson: truth, fiction: 
http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca-pt/default.aspx?c=exposicoes&idexp=1235&mn=537&friendly=Exposicao-Leonilson-Truth-Fiction

terça-feira, 1 de julho de 2014

A primeira vez era maio, mar nervoso, praia de tombo impossível e ondas noturnas estremecendo o quarto. Em dezembro serenou e eu dancei com Janaína. E Oyá, em abril, fechou o sol por um minuto e me saudou com fúria divina.
Sinais violentos de beleza e vida. Para lavar a rotina rasteira sem cor, música, perfumes ou deslumbramentos. E ressuscitar os sentidos para a maresia, a leitura das horas no hábito dos bichos, a alegria das luzes da tarde (ativadoras de lembranças eternas) e os contraluzes e metais do anoitecer no mar.
Quem me trouxe foi o tempo, a desistência, o cansaço (acho que o banho no Ganges não vai mesmo rolar), o mar atávico, a luz solar. Na contramão das temporadas.

“E posso dizer que amo a natureza – não gosto das grandes cidades e sinto-me perfeitamente feliz quando estou longe da parafernália da civilização moderna, exatamente como me sentia maravilhosamente bem na Rússia, quando estava em minha casa no interior, com trezentos quilômetros separando-me de Moscou. A chuva, o fogo, a água, a neve, o orvalho, o vento forte – tudo isso faz parte do cenário material em que vivemos; eu diria mesmo da verdade das nossas vidas. Por isso, fico confuso quando dizem que as pessoas são incapazes de simplesmente saborear a natureza quando a vêem representada com amor na tela, e que, em vez  disso, procuram algum significado oculto que imaginam estar nela contido."
(Andrei Tarkovski - Esculpir o tempo, que descobriu esse lugar comigo em maio de 2013.)

Boiçucanga