quinta-feira, 17 de abril de 2014

"imagine uma cidade em que o grafite não é ilegal, uma cidade em que qualquer um pode desenhar onde quiser. onde cada rua seja inundada por milhões de cores e frases curtas. onde esperar no ponto de ônibus não seja uma coisa chata. uma cidade que pareça uma festa para a qual todos foram convidados, não apenas as autoridades e os figurões dos grandes empreendimentos. imagine uma cidade como essa e não encoste na parede - a tinta está fresca."
Banksy in "Wall and piece"


Beco do Batman da Vila Madalena,
uma linda luz solar & uma câmera emprestada:













































terça-feira, 15 de abril de 2014

Mãos femininas que tocam tambor para o rei Xangô


um dia a Daniela, a linda Dani Sou que canta e dança, chamou pra ver o Ilú. e naquele ano segui o cortejo da Sexta de Carnaval, lá do bar do Estadão na boca do viaduto Major Quedinho, pela Praça Ramos, até a igreja dos Homens Pretos no Paissandú. 

foi noite de pulsação máxima e coração na boca, quando os primeiros tambores bateram e Xangô, deslumbrante, flutuou. depois o delírio de todos os sons e cores, corpos e chuva, conchas e fogo. e eu me encantei.

Ilú Obá de Min, as mãos femininas que tocam tambor para o rei Xangô, tem uma ligação primordial com o Candomblé, embora não seja um bloco de terreiro. no Candomblé mulher não bate tambor e Beth Beli, percussionista e uma das fundadoras do bloco, foi atrás de outras culturas e tradições africanas, na Nigéria, por exemplo, ela bate. então o Ilú tem essa coisa linda de ser uma banda de mulheres tocando djembês, alfaias, ilús, os sagrados agogôs e xequerês e, ainda mais bonito: as meninas se formam anualmente em oficinas de RUA da associação, que rolam bem no centro de Sampa nos baixos do viaduto do Chá e na praça do Patriarca. além do tambor, há oficinas de danças africanas como aquelas do próprio Candomblé ou o Jongo, Maracatu e Ciranda. assisti-las é de arrepiar.
hoje, Ilú Obá de Min é uma ONG e pretende manter acesa a tradição, a memória musical, as influências da cultura afro em nosso cotidiano, mas ainda, uma sociedade menos racista, sexista, intolerante e discriminatória. e isso me interessa.


este ano fui atrás do Ilú pela terceira vez. ele cresceu. muito. e isso é bom! eu é que não posso mais com tanta multidão, com os holofotes da PM no olho, com os alucinados demais. o coração ainda dispara, as crianças encantadas e alguns olhos molhados ainda me comovem, apenas eu já não me encaixo na Sexta Gorda começando daquele jeito ali no Estadão. gosto sim das ruas antigas na convergência da Santa Cecília com os Campos Elísios e a Barra Funda. e o Ilú se espalhando por ali na matinê da Carnaval de domingo. tanta luz solar, cor e crianças. e eu ainda encantada.


Ilú Obá de Min, 10ª ópera de rua: "Nega Duda e o samba de roda do recôncavo baiano - patrimônio imaterial da humanidade".
135 percussionistas, 32 bailarinos, 8 cantoras, 10 pernaltas, a gente e um montão de alegria.

2/mar/2014













































Marcello Vitorino, Fabiano Calixto & os grandes encontros.