domingo, 27 de dezembro de 2015

Outro dia cheguei ao ponto de ônibus aqui da quebrada e cumprimentei uma desconhecida que já estava lá em sofrimento. em instantes ela começou a me despejar "a palavra", perguntas sobre religião e se eu acreditava em deus. situação recorrente, já aprendi a me livrar desse tipo de mala com alguma rapidez.
Por alguma razão, lendo esse texto tão simples e sensível a cena voltou. "religião" e etimologias à parte, pensei no fio condutor, em começos e fins, em respeito e celebrações.
Há muito tempo me comunico com o Mar, quando entro, quando estou, quando saio, quando vejo (toco e ouço) daqui urbana tão longe. as memórias mais antigas de mim são no Mar e é lá que quero terminar. às vezes ele é masculino, às vezes é La Mar, às vezes Janaína, às vezes a gente é só um único monte de lágrimas.

"Muitas vezes encarava as pessoas que se “benziam” ao entrar no mar como uma crença religiosa, que ora me fazia sentido, ora não.
Um dia zapeando pela TV assisti um documentário onde um índio dizia sobre a importância e o quão significativo é para ele pedir licença às árvores ao entrar numa floresta, e agradecer ao sair. Aquilo me bateu e os pontos foram ligados.
Independente de religião ou filosofia praticada, concordamos com o quão sagrada é a natureza e o nosso desejado mar, e que assim como pedimos permissão para entrar na casa de alguém, num templo, igreja ou tenda, a mesma permissão pode ser pedida para entrar no mar, afinal nos “apropriamos” dele por algumas vezes nos esquecendo que antes de nós ele estava ali.
Não vamos esquecer também de que antes de qualquer parede levantada, existia apenas o sagrado na natureza, sejam rios, florestas ou mares e nada mais puro e simples do que voltar a se conectar a eles!
Pedir permissão ou agradecer por entrar numa área que “não é a nossa” é uma questão de respeito, que pode ser feita da maneira como bem entender; mentalmente ou com algum sinal que acredite, a mensagem que queremos passar é : Se partirmos da ideia de que naquela imensidão de água existe energia que vemos e sentimos nas ondas, existe vida, que ali merece todo nosso respeito, creia você em energia, ou numa religião ou nos elementares, ou na ciência, ou em Deus, que tal termos mais gratidão pelas ondas que o mar nos dá e fazem nosso dia valer tão a pena… afinal olhando por esse lado, não nos falta motivos para agradecer!"

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

"palavrão e gíria na boca de homem é feio, mas vá lá. agora, dito por mulher! que horror!"

" - chego do trabalho na sexta-feira e já começo a faxina da casa!
  - você e o (fulano-marido), né?
  - não, coitado, ele já trabalha a semana toda!
  - oi?"

"não tenho preconceito, mas duvido que um pai ou mãe de homossexual seja feliz."

"que valores terá uma pessoa criada por dois homens ou duas mulheres?"

"adoro o inverno porque nesta estação as pessoas ficam bonitas, elegantes, em vez de andarem meio peladas, cheirando a suor, feito índios."

"ah, não tô falando que você é veado, hahaha! é uma bichona mesmo!"
(quando o lance sexual diferente do próprio equivale a um xingamento)

coisas assim recheiam meu cotidiano de preconceito. frases ditas, olhares franzidos, deboche. sinalizando a fragilidade do discurso hipócrita daquele que se autodenomina (boca cheia) "cristão", "cidadão de bem" ou "moderno".
olho para estas pessoas e me pergunto quem é apenas o ovino reprodutor de falas televisivas ou religiosas, sem muita capacidade mental e quem é o sacana cheio de ódio (e medo).
seja como for, ambos seguem fortalecendo os preconceitos mais perversos, plantando metástases vida afora.
e minando minhas perspectivas de um futuro menos triste.